Para a Liga para a Proteção da Natureza (LPN), proteger a biodiversidade significa trabalhar com os agricultores e encontrar formas de as pessoas e a vida selvagem partilharem a mesma paisagem. Fundada em 1948, a LPN é a ONG ambiental mais antiga da Península Ibérica.
É em Castro Verde que esse trabalho se concentra. No final da década de 1980 e início da década de 1990, com financiamento da Comissão Europeia, a LPN adquiriu seis propriedades que abrangem 1 800 hectares, para as manter fora do alcance das empresas que compravam terrenos no Alentejo para plantar árvores destinadas à produção de celulose. Estas propriedades constituem agora o núcleo da Reserva da Biosfera de Castro Verde, um refúgio para as aves da estepe.
A paisagem, dominada por campos de cereais, abriga espécies como a abetarda-grande, a abetarda-pequena e o tartaranhão-de-cauda-longa. Os cereais proporcionam um habitat para nidificação e alimentação.
Estrela Matilde, diretora executiva da LPN, explica: «Ainda temos as maiores populações do país em Castro Verde e estamos a tentar proteger estas espécies. Estas espécies dependem a 100 % da agricultura. Se a agricultura desaparecer, estas espécies também desaparecerão.»
A LPN gere um programa dedicado ao tartaranhão-de-montanha, uma ave de rapina ameaçada que nidifica no solo em campos de cereais.
Os ninhos são destruídos quando as máquinas procedem à colheita dos cereais. As equipas de campo da LPN monitorizam a população, identificam os ninhos e colaboram com os agricultores. Quando é encontrado um ninho, o agricultor deixa cerca de um hectare à sua volta sem colher e é compensado através de pagamentos agroambientais da UE.
Nesta época, a LPN identificou cerca de 60 ninhos e protegeu mais de 30. Quando os ninhos não podem permanecer nos campos, os ovos são incubados em Olhão antes de as crias regressarem a Castro Verde.
Apesar destes esforços, a tendência geral para as aves das estepes de Portugal continua a ser profundamente preocupante. O mais recente recenseamento nacional da sisão, publicado em junho de 2026, estimou um declínio de cerca de 90 % desde 2006, mesmo dentro de áreas protegidas para a espécie.
A LPN também trabalha com os abutres-pretos e coordena um projeto com o operador de rede E-REDES para reduzir a mortalidade de aves nas linhas elétricas. Enterrar as linhas mais críticas é uma das opções que ambas as entidades estão a explorar.
A organização desenvolve atividades de educação ambiental a nível nacional e intervém em avaliações de impacto e processos judiciais nos casos em que considera que os ecossistemas estão em risco. Como explica Estrela: «A intervenção é um trabalho invisível, que tem um grande impacto.»
Author: Liga para a Protecção da Natureza;


