As duas mortes ocorridas no espaço de um mês nas Azenhas do Guadiana, espaço fluvial do rio Guadiana, localizado a pouco mais de um quilómetro da vila de Mértola, levaram a Capitania do Porto de Vila Real de Santo António, a interditar a prática balnear e de banhos naquela zona do “Grande Rio do Sul”.
A decisão foi tomada no passado dia 16, depois de uma reunião entre o Comandante do Porto, Capitão-tenente Sérgio Pardal e o presidente do Município de Mértola, Mário Tomé, na sequência de duas mortes, um cidadão brasileiro, de 37 anos, e um jovem português, de 16 anos, ocorridas a 7 de junho e 4 de julho, respetivamente.
A Capitania do Porto já transpôs a decisão para Edital, e entra em vigor na próxima sexta-feira, dia 31 de julho, e o desrespeito pelas ordens de interdição da prática balnear, a natação e ir a banhos na área definida, constitui contraordenação punível com coima de 400 a 30.000 euros.
Como medida de prevenção a Polícia Marítima de Vila Real de Santo António, esteve durante o fim-de-semana a promover uma ação de sensibilização junto da população.
Ao JN, Sérgio Pardal referiu que “a trágica perda de vidas humanas no decurso do presente ano”, e os trabalhos de reconhecimento técnico das correntes, remoinhos e dinâmicas hidráulicas no local, “ficou demonstrado o cenário de “Perigo Extremo” naquela zona do rio”, e que esteve na origem da decisão.
O oficial justificou que a perigosidade nas Azenhas do Guadiana “advém de uma dinâmica fluvial complexa e de águas interiores, existindo formações rochosas e antigas estruturas de moagem (azenhas) que alteram profundamente a hidrodinâmica local”, acrescentando que durante os períodos estivais, “o caudal aparentemente calmo esconde redemoinhos subsuperficiais e fortes correntes de sucção provocadas pelo afunilamento do rio entre as rochas”, rematou.
Colocado perante a possibilidade daquele local vir a ser considerado como Praia Fluvial, o Comando do Porto assegurou que “face às condições descritas, muito dificilmente poderá vir a ser considerado como tal”, concluiu.
Sérgio Pardal, reforçou que “foi colocada nova sinalética reforçar a proibição da prática de banhos, não de acesso ao local, e a partir da próxima sexta-feira os infratores correm o risco de sofrerem sanções”, disse.
Desde o Verão de 2023 são já as vítimas mortais por afogamento que ocorreram nas Azenhas do Guadiana, local muito procurado por residente e visitantes, mas que não está homo lado para a prática balnear ou de banhos.
Afogamentos nas Azenhas do Guadiana
4 de agosto de 2023: uma mulher de 22 anos, de nacionalidade afegã, morreu, depois de ter salvado uma amiga, disse à agência Lusa fonte da GNR.A vítima morava em Leiria e tinha ido a Mértola visitar os compatriotas, tendo passado o dia no local.
11 de julho de 2022: um homem de 29 anos, de nacionalidade guineense, desapareceu nas águas do rio Guadiana, vindo a ser encontrado “submerso pela água”, já sem vida, por mergulhadores dos bombeiros.
30 de agosto de 2007: pai, de 43 anos e filho, de 9, desapareceram enquanto nadavam no rio. A criança viu-se em aflição e o pai foi em seu auxílio, tendo ambos desaparecido quando o progenitor regressava à margem do rio nadando com o filho às costas. A família não era originária da região (viviam em Fernão Ferro, concelho do Seixal), pelo que o desconhecimento do local e a maré os terão atraiçoado.
7 de junho de 2026: Um cidadão brasileiro, de 37 anos, morreu pouco depois de entrar nas águas do rio Guadiana. O homem desconhecia o local uma vez que havia poucos dias que tinha chegado à vila.
4 de julho de 2026: um jovem futebolista, de 16 anos, da equipa Seixal Clube 1925, distrito de Setúbal, morreu afogado na manhã desse dia, depois de ter ido a banhos com os colegas, num interregno do torneio de futebol Mértola Cup, onde participa. O torneio foi cancelado.
Teixeira Correia
(jornalista)


