Terça-feira, Janeiro 13, 2026

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(Última hora) “Operação Espelho II”: “Pacto de silêncio” entre arguidos em julgamento por tráfico de pessoas em Beja.

Ficaram em silêncio, naquilo que foi interpretado como um pacto, 21 dos 22 arguidos, faltou uma cidadã moldava, que marcaram presença na primeira sessão do julgamento da denominada “Operação Espelho – Parte 2”, realizada na manhã desta segunda-feira, em Beja, por tráfico de pessoas.

O nome com o qual a Unidade Nacional de Contra Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária (PJ), batizou a operação levada a cabo em 21 de novembro de 2023, assunta como uma luva, tanto na tipologia dos crimes, no comportamento dos arguidos e na estratégia dos advogados de defesa. Tal como tinha acontecido no passado dia 20 de outubro, aquando da primeira sessão do julgamento da Parte 1 da referida operação, os arguidos foram identificados e nenhum se mostrou-se disponível para falar perante o Coletivo de Juízes.

Como as sessões da tarde de hoje e as duas de amanhã estavam destinadas à audição dos arguidos, o julgamento só vai ser recomeçado na manhã da próxima quarta-feira. Por ter faltado sem justificação, a cidadã moldava Riorita Snigureac, foi multada em duas Unidades de Conta (204 euros) e emitidos mandados de detenção para condução a tribunal para ser julgada. Por falta de notificação, uma das empresas arrolada na acusação vai ser julgada num processo separado.

Face à enorme panóplia de cidadãos de diferentes países, para além do português, na sala falam-se outros quatro idiomas: ucraniano, moldavo, francês e indiano, estando presentes outros tantos tradutores.

Em julgamento estão 22 pessoas, 17 cidadãos estrangeiros e 5 portugueses, com idades compreendidas e entre os 28 e os 57 anos, oito dos quais em prisão preventiva, tendo a acusação imputando a cada um deles, a prática dos crimes de tráficos de pessoas, associação criminosa, auxílio à imigração ilegal, associação de auxílio à imigração ilegal e branqueamento de capitais.

Da operação da UNCT resultou a identificação cerca de meia centena de vítimas exploradas no trabalho agrícola, tendo o Ministério Público (MP) do DIAP Regional de Évora, descrito na acusação que a atividade da rede se desenvolveu entre 2019 e 2023, e que era a arguida Ileana Mezo, uma cidadã romena de 45 anos, que liderava todas as ações do grupo, sendo conhecida e tratada por “engenheira”, “chefe” e “patroa”.

O MP justifica que a rede fez sua a quantia total de 19.767.141,09 euros, que foram congelados em contas dos integrantes da rede, tendo também sido confiscados 39 veículos automóveis utilizados pelos arguidos a título pessoal ou para transportar os trabalhadores, três motociclos e uma mota 4, ainda sem matrícula e cinco prédios urbanos.

Penas acessórias

O MP pede que casos venham a ser condenados pela prática do crime de tráfico de pessoas, nove arguidos, sejam expulsos de território nacional e que as 13 empresas arguidas, sejam interditas de exercer qualquer atividade, sem prejuízo de serem dissolvidas.

Teixeira Correia

(jornalista)

 

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