É inaugurada este sábado, dia 13 de junho, pelas 18h00, no Largo das Portas de Mértola, junto à Caixa Geral de Depósitos, a escultura dedicada ao rei, e poeta árabe, Al-Mu’tamid, da autoria do escultor Silvestre Raposo.
Nesta iniciativa, e para assinalar o momento, contamos com a participação do músico Paulo Ribeiro, para interpretar canções inspiradas nos poemas de Al-Mu’tamid, nascido em Beja, no ano de 1040.
Com esta escultura é prestada homenagem a uma das figuras que marca a história da cidade. Na composição escultórica, o autor, Silvestre Raposo, evoca momentos e símbolos da vida de Al-Mu’tamid: o castelo erguido sobre o rochedo, a lágrima da saudade, a chave da casa perdida, o jardim da infância, o coração ferido, a coroa deixada para trás e a permanência da palavra poética como legado intemporal.
Com um percurso artístico reconhecido nacional, e internacionalmente, Silvestre Raposo é autor de diversos monumentos de arte pública e de uma obra marcada por dois valores fundamentais: a paz e a cultura.
Convidamos toda a comunidade a acompanhar este momento de celebração da memória, da arte e da identidade de Beja.
Sobre o autor
Silvestre Luís Varela Raposo
Formação académica: Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, onde foi membro do Conselho Pedagógico;
Professor de Design no Instituto Superior D. Afonso III, em Loulé;
Autor de cinco monumentos de arte pública e de mais 22 obras presentes em museus e espaços públicos;
Possui uma Casa-Museu com o seu nome;
Autor de várias obras de poesia, duas das quais editadas em Pontevedra, na Galiza.
Os seus monumentos e esculturas têm sempre dois elementos comuns: a paz e a cultura.
Sobre a escultura
Silvestre Raposo dedica esta escultura a um poeta que nasceu em Beja há cerca de mil anos. Quis o destino que fosse rei, mas a sua arma não foi a espada, mas a palavra escrita, a poesia. É na sua poesia que estrutura os elementos. Al-Mu’tamid referia-se ao seu reino como sendo ele próprio uma enorme montanha. Durante o cativeiro, evocava com saudade a sua casa e a cidade da sua infância, onde existiam jardins. No final da vida, afirmava ter perdido tudo, exceto a palavra e a sua poesia.
Assim, Silvestre Raposo ergue um castelo no rochedo, com uma lágrima derramada na frente, aos lados, a chave, símbolo da sua casa, e o jardim. Na parede de trás um coração ferido, uma coroa que tinha ficado no passado e uma máscara fúnebre numa campa rasa.


