Quarta-feira, Julho 15, 2026

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Beja: Vinte arguidos, 15 homens e 5 mulheres, da “Operação Pelourinho” começam hoje a ser julgados por 55 crimes.

Vinte arguidos, quinze homens e cinco mulheres, com idades compreendidas entre os 18 e os 45 anos, começam a ser julgados na segunda-feira no Tribunal de Beja acusados da prática de 55 crimes, que vão do tráfico de estupefacientes agravado, roubo agravado, furto qualificado, ofensa à integridade física qualificada, branqueamento de capitais e burla informática.

Catorze dos acusados têm entre os 18 e os 29 anos, a esmagadora maioria pertence a um grupo juvenil violento, autodenominado “Tchubas, sendo que três deles estão a cumprir penas de prisão por tentativas de homicídio, com o uso de armas brancas ou de fogo. Há ainda cinco arguidos em prisão preventiva e um em prisão domiciliária, resultante da “Operação Pelourinho”, levada a cabo por agentes da Esquadra de Investigação Criminal (EIC) da PSP de Beja, no dia 20 de maio do ano passado. A este processo foram apensados mais de dezena e meia de autos, cuja investigação, além da PSP, foram feitos pela Polícia Judiciária de Faro e a GNR de Beja.

Na “Operação Pelourinho”, que culminava mais de um ano de um longo trabalho de investigação, as detenções ocorreram em diversos locais da cidade, sendo o mais relevante a Praça da República onde existe um monumento histórico da cidade, denominado Pelourinho, que deu nome à operação. Os agentes da EIC deram cumprimento a onze mandados de detenção fora de flagrante delito, que culminaram em outras tantas detenções, que teve como primeiro alvo oito buscas domiciliárias.

Segundo o despacho de acusação do Ministério Público de Beja, após o furto numa empresa que se dedicava ao cultivo de canábis/liamba, entre 2024 e 2025 o grupo dedicou-se à venda de estupefacientes em toda a cidade.

O MP descreve a existência de mais de duas dezenas de arremessos de pacotes para o interior do Estabelecimento Prisional de Beja com droga e telemóveis.

Roubos violentos, ameaças e agressões a transeuntes são muitos dos atos descritos como cometidos pelos arguidos, tendo inclusivamente existido a destruição de um vidro de uma viatura policial, como retaliação pela presença dos agentes numa altercação na via pública.

Atenta à complexidade e volume dos autos, o número elevado de arguidos, o modo de atuação destes, bem como os meios empregues na investigação, a Procuradora do MP responsável pela acusação, Sílvia Gomes, defendeu que se afigura necessário proceder à indicação de um número de testemunhas superior a vinte, requereu que fossem convocadas 63 testemunhas. 

Furto numa produto de cannabis/liamba medicinal

Em dezembro de 2023, com a conivência de uma segurança, três dos arguidos entraram numa empresa, que se dedicava ao cultivo de canábis/liamba para fins medicinais, localizada próximo de Salvada (Beja) e subtraíram a quantidade de 43174 (quarenta e três mil cento e setenta e quatro) gramas de canábis medicinal, num valor de €107.935,00 (cento e sete mil novecentos e trinta e cinco euros).

“Operação Pelourinho” de combate ao crime violento

Para além dos agentes da EIC da PSP de Beja, a operação contou também com a participação de agentes da Unidade Especial de Polícia (UEP), através do Corpo de Intervenção e Grupo Operacional Cinotécnico de Cascais e Abrantes e de elementos de todas as subunidades do Comando Distrital de Beja, num total de 80 operacionais.

Teixeira Correia

(jornalista)

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