O Governo vai avançar com um novo enquadramento legal que permitirá o abate de animais nas próprias explorações agrícolas e a criação de matadouros móveis, uma medida destinada a apoiar territórios de baixa densidade. Pequenos produtores não concordam.
O secretário de Estado da Agricultura, João Moura, revelou recentemente que uma nova lei deverá ser aprovada e visa responder às dificuldades existentes em territórios de baixa densidade, onde a inexistência de matadouros limita a atividade dos produtores.
A iniciativa pretende criar soluções alternativas à presente rede de abate, predominantemente privada, permitindo que criar a oportunidade de Portugal poder começar a abater em matadouros móveis. Além disso, o governante revelou que as explorações de menor dimensão passarão a poder realizar o abate localmente.
O Lidador Notícias ouviu um produtor que justificou que o que deve ser permitido é o “abate nas próprias explorações feitos pelos produtores, com supervisão dos veterinários municipais, mediantes a existência de determinadas condições de Higiene e segurança alimentar”, justificou.
Quanto à criação de matadouros móveis, o produtor justificou que “vai favorecer os grandes produtores que podem abater 30/40 animais, porque numa exploração de menor dimensão os custos são incomportáveis”, justificou.
Para satisfazer as necessidades da sua produção, o nosso interlocutor para deixar e recolher os animais no matadouro mais próximo em Portugal “tenho que percorrer 400 quilómetros e o abate de cada animal fica em 100 euros por carcaça e são entregues inteiras: Num matadouro espanhol fazem-se os mesmos quilómetros, o abate fica a 70 euros por animal e as entregues desmanchados”, concluiu.
De acordo com o Secretário de Estado, a medida pretende, assim, responder a constrangimentos logísticos e económicos enfrentados por produtores, sobretudo em regiões do interior, contribuindo para maior eficiência no setor.
Teixeira Correia
(jornalista)


