Os Porquinhos de Doce, um doce de origem conventual, são uma iguaria típica de Natal, que são fabricados há 132 anos pelos doceiros da Pastelaria Luiz da Rocha, em Beja, que acabam por representar a importância do porco na gastronomia da região.
Desde o início do mês que o doce deixou de ser vendido ao público na pastelaria, tal o volume de encomendas e é produzido somente para atender aos pedidos dos muitos clientes espalhados por Portugal Continental.
António Leandro, há 53 anos que trabalha na pastelaria e desde o 25 de Abril gere a Cooperativa de Trabalhadores proprietária da mesma, justifica que “é um doce criado pelo fundador da casa, a partir de receitas das freiras e que ao longo dos anos tem ganho notoriedade, muito mais depois de termos sido finalista das 7 Maravilhas entre 940 doces”, e apesar de ser um doce fabricado o ano inteiro “no Natal temos 4/5 pasteleiros a fazer cada uma das fases dos porquinhos, que através de uma transportadora enviamos para Portugal inteiro”, concluiu.
“Fazemos porquinhos em frações de meio quilo e de qualquer tamanho conforme o desejo do cliente. Não é um doce de frigorifico, é fazer e degustar”, diz orgulho António Leandro.
Chegada de Moçambique há 40 anos, Maria de Fátima, jubilada da Função Pública, é cliente do Luiz da Rocha desde que chegou a Beja e todos os dias toma o pequeno almoço no espaço centenário. “Toda a doçaria é ótima e o seu fabrico conventual faz a diferença. O Porquinho de Doce é uma das peças essenciais das minhas festividades de Natal”, lembrando que fez parte da comitiva que esteve na final das 7 Maravilhas a apoiar o doce bejense.
Carlos Rocha, neto do fundador da pastelaria, antigo empresário da restauração, vive no Porto há 60 anos, contou ao Lidador Notícias que “as ofertas de Natal para os meus amigos são os porquinhos e as trouxas de ovos que encomendo no Luiz da Rocha. Quinhentos euros foi o valor da encomenda que chegou na quinta-feira de Beja. Além de serem doces fenomenais são o orgulho da família”, lembrando os tempos em que nos seus restaurantes a principal sobremesa eram aqueles doces conventuais.
Teixeira Correia
(jornalista)


