Terça-feira, Janeiro 13, 2026

InícioOpiniãoO ANO EM QUE A SEGURANÇA DOMINOU O DEBATE PÚBLICO

O ANO EM QUE A SEGURANÇA DOMINOU O DEBATE PÚBLICO

Ao longo de 2025, a segurança em Portugal foi um dos temas centrais na agenda pública e mediática, refletindo tendências complexas que combinaram crescimento e decréscimo de alguns tipos de crimes, preocupações com segurança interna e fronteiriça, desafios institucionais e sociais, de adaptações legais e tecnológicas, além de muitas perceções.

Rogério Copeto

Coronel da GNR, Mestre em Direito e Segurança e Auditor de Segurança Interna

Dirigente da Associação Nacional de Oficiais da Guarda

Entre opiniões, dados oficiais e debates públicos, ficou claro que o país enfrenta um mosaico de questões que exigem respostas integradas das autoridades, da sociedade civil e das instituições de justiça, tendo os dados do Relatório Anual de Segurança Interna de 2024 (RASI 2024), divulgados em 2025, pintado um quadro de diminuição da criminalidade total em 4,6%, registando 354.878 crimes denunciados às Forças de Segurança (FS) e um crescimento de 2,6%, da criminalidade violenta, num total de 14.385 crimes. 

Os crimes que aumentaram significativamente em 2024, continuaram a marcar o debate em 2025, nomeadamente os roubos através de arrombamento e os furtos de veículos aumentaram de forma expressiva, os roubos em estabelecimentos comerciais e bancos também registaram subidas relevantes, e a Violência Doméstica permaneceu em níveis historicamente elevados, com mais de 25.000 denuncias registados nos primeiros nove meses de 2025, um fenómeno classificado pelo Governo como “um verdadeiro flagelo nacional”.  

Desta forma, embora a criminalidade total tenha diminuído, diversos fenómenos criminais continuaram a desafiar as políticas de prevenção e resposta, especialmente nos contextos domésticos e contra o património.

O ano de 2025 foi ainda marcado por várias ações policiais de grande visibilidade e impacto, em particular a detenção de membros de um grupo de extrema-direita com armas e explosivos em junho, ressaltando preocupações com radicalismos domésticos violentos e potenciais ameaças terroristas internas, tendo as autoridades detido seis suspeitos ligados a ideologias violentas e apreenderam um arsenal diversificado, onde

também o debate público sobre as operações policiais em bairros urbanos, como as realizadas em 2024 e analisadas em 2025, continuaram a suscitar críticas e controvérsias, sendo disso exemplo a operação de prevenção criminal realizada no Martim Moniz, que foi alvo de escrutínio institucional, embora se tenha concluído que os procedimentos estavam dentro da legalidade, bem como a adoção de leis mais rígidas para proteção dos elementos das FS marcaram o ano, com penalizações mais severas para quem agride elementos da Policia de Segurança Pública (PSP), militares da Guarda Nacional Republicana (GNR), bombeiros, profissionais de saúde e outros agentes de serviço público.  

A segurança fronteiriça foi outro foco importante em 2025, cuja a implementação do Sistema Europeu de Entrada/Saída (EES) nas fronteiras portuguesas colocaram desafios práticos e operacionais, sobretudo no aeroporto de Lisboa, onde filas e atrasos, que chegaram às seis horas, levaram sindicatos da PSP a alertar para potenciais compromissos na eficácia dos controlos de segurança. 

Além disso, surgiram informações sobre redes corruptas envolvendo elementos das FS em atividades ilícitas ligadas à imigração, questionando a integridade das FS, casos que foram debatidos publicamente, mas que, no entanto, “enfraquecem, mas não rompem” a confiança nas instituições. 

Embora menos central nos principais títulos, a cibersegurança ganhou relevância crescente em 2025, em paralelo com debates sobre aumento de cibercrimes relatados por cidadãos e empresas, tendo Portugal atualizado a legislação de cybercrime para proteger investigadores de segurança que atuem de boa-fé, abrindo espaço para maior colaboração entre especialistas e autoridades, sublinhando este tipo de medida, que a segurança moderna não se limita ao policiamento tradicional, mas envolve também defesa proativa das infraestruturas digitais e prevenção de ataques virtuais.

Outro tema debatido ao longo do ano foi o desfasamento entre perceção pública da insegurança e dados objetivos de criminalidade, mostrando os estudos publicados em 2025 que, apesar de muitos crimes terem vindo a cair ao longo das últimas décadas, a cobertura mediática e a polarização nas redes sociais intensificaram a sensação de insegurança entre a população, cujo fenómeno as autoridades classificaram como sendo desafiante para a confiança pública. 

Apesar dos desafios pontuais, Portugal continuou a ser classificado como um dos países mais seguros da Europa e do mundo em 2025, refletindo índices de baixos níveis de crime violento comparativamente com outros países europeus. 

O ano de 2025 em Portugal apresentou um cenário de segurança multifacetado, onde a queda da criminalidade geral e a manutenção de níveis relativamente baixos de violência, contrastaram com aumento de tipos específicos de crimes graves, desafios nas fronteiras, debates institucionais e novos fenómenos como cibercrime e radicalismos, tendo as autoridades públicas respondido com reformas legais, reforço policial e estratégias tecnológicas, enquanto a sociedade refletiu sobre suas perceções de segurança e confiança nas instituições.

O balanço de 2025 mostra que, apesar de dificuldades pontuais, Portugal continua focado em construir uma segurança pública resiliente, adaptada às exigências do século XXI, promovendo tanto a proteção física quanto a digital dos seus cidadãos.

Terminamos desejando que neste Natal e Ano Novo, façamos todos da prudência a melhor companheira de estrada, porque ao volante, todos os condutores têm a responsabilidade de oferecer à sua família o presente mais valioso, que é estar presente, respeitando as regras do Código da Estrada, para que a magia desta quadra seja vivida com alegria, mas acima de tudo com a segurança necessária para que todos cheguem ao seu destino e comecem o novo ano com saúde e esperança.

A tod@s desejo um Santo Natal e um Próspero ano de 2026.

Nota: O texto constitui a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a  opinião ou posição da instituição onde presta serviço.

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Recentes