Nas eleições para as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDRs), uma espécie de governos regionais disfarçados, os votantes são, por lei, os eleitos locais (vereadores e deputados municipais) de cada região.
Juiz Desembargador Jubilado
Antigo Juiz Presidente do Tribunal da Comarca de Beja
Mesmo sendo eleições indirectas, trata-se de muita gente, basta reparar no número de Câmaras Municipais e de Assembleias Municipais que integram cada região.
E são esses cidadãos, vereadores e deputados municipais, todos eles, ao que se sabe, no pleno gozo dos seus direitos civis, e em plena liberdade, que devem eleger o Presidente e o Vice-Presidente da respectiva CCDR.
Porém, estando as eleições marcadas para dia 12 de Janeiro, dizem as notícias, citando as direcções do PS e do PSD, que esses dois partidos, como aliás já acontecera nas ocasiões anteriores, formalizaram um acordo de partilha, segundo o qual o PS indicou os nomes dos futuros presidentes das regiões Lisboa, Alentejo e Algarve e o PSD indicou os nomes dos futuros presidentes de Centro e Norte.
Ou seja, as direcções do PS e do PSD dão pacificamente como assente que os vereadores e deputados municipais eleitos nas suas listas são uns bananas que vão cumprir os deveres eleitorais inerentes aos seus cargos nos termos previamente contratados pelas direcções partidárias.
Espera-se agora, para o dia 12, que os vinculados pela transacção procedam em conformidade, como tem acontecido normalmente.
Diga-se que nisso não se distinguem dos venerandos juízes do Tribunal Constitucional, quando com naturalidade elegem para presidente quem os mesmos partidos indicam para o efeito.



