Quarta-feira, Dezembro 17, 2025

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Odemira: Aprovada moção de repúdio “Pela contínua degradação e abandono da Escola Secundária”.

Os eleitos pelo Partido Socialista à Assembleia Municipal de Odemira manifestam o seu profundo descontentamento e indignação perante o contínuo e inexplicável abandono a que a Escola Secundária de Odemira (ESO) está votada por parte do Governo.

Este sentimento de injustiça agrava-se com a recente notícia de que o programa de financiamento europeu, contraído junto do Banco Europeu de Investimento (BEI), voltou a preterir a ESO a favor de escolas noutros concelhos, representando um golpe duríssimo para toda a comunidade odemirense e um claro sinal de desprezo pelo concelho de Odemira.

Esta decisão é particularmente gravosa por ser a repetição de um padrão lesivo. Recorde-se que, em 2010, uma obra de renovação já em curso na Secundária de Odemira foi abruptamente cancelada pelo então governo PSD/CDS-PP (à época integrados na coligação Aliança Portugal), deixando a escola num estado de limbo. Agora, contra todas as expectativas e a lógica que ditaria prioridade às situações mais críticas, o atual governo PSD/CDS-PP (no âmbito da Aliança Democrática – AD) repete o mesmo erro, excluindo a ESO do pacote financeiro que o anterior governo do PS havia negociado. É incompreensível e inaceitável que, mais uma vez, um governo liderado pelo PSD prive a ESO de investimentos urgentes, perpetuando um ciclo de negligência partidária.

Este abandono governamental contrasta violentamente com a resiliência e a excelência da comunidade educativa da Escola Secundária de Odemira. É crucial salientar que, apesar das condições físicas degradantes – com infiltrações, salas desadequadas, instalações sanitárias obsoletas e espaços comuns a carecer de modernização –, o desempenho de todos os que dão vida à escola é notável.

Os professores da ESO demonstram uma dedicação que ultrapassa as barreiras da falta de recursos. Os diretores e a estrutura de gestão têm lutado, ano após ano, com orçamentos curtos e limitações infraestruturais, fazendo verdadeiros milagres para manter a escola a funcionar com dignidade. O pessoal não docente é o pilar silencioso desta instituição, assegurando a limpeza, a manutenção e o apoio diário num ambiente que não é o ideal.

As associações de pais e encarregados de educação têm sido vozes ativas e críticas, alertando incessantemente as entidades competentes para os perigos e constrangimentos que os seus educandos enfrentam diariamente. E, acima de tudo, os alunos merecem o maior reconhecimento, pois são eles que, com a sua energia e vontade de aprender, superam as adversidades de um espaço que não está à altura do seu potencial.

Toda a comunidade escolar de Odemira merece mais do que palavras de elogio; merece ações concretas. Merece um edifício seguro, moderno e inspirador que corresponda à qualidade humana e pedagógica que nele reside. A priorização de outras escolas, em concelhos vizinhos, não só é uma decisão tecnicamente questionável do ponto de vista da justa distribuição de fundos, como é um ato de profunda injustiça territorial que agrava as assimetrias no interior alentejano.

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