Terça-feira, Janeiro 13, 2026

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“Operação Safra Justa”: Trabalho na agricultura e na Guarda.

GNR suspeitos de coagir imigrantes ilegais disseram à juíza que também trabalhavam na agricultura. Rejeitaram ter realizado quaisquer serviços de “segurança privada”.

O tenente da GNR e outros três militares, suspeitos de fazerem parte do “braço armado” de uma rede de exploração de imigrantes ilegais em herdades do Alentejo, confirmaram à juíza do Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa que trabalhavam para o alegado cabecilha da organização. Porém, rejeitaram ter realizado quaisquer serviços de “segurança privada”. Antes garantiram que se limitavam, fora das horas de serviço, a trabalhar na agricultura, para o empresário Vítor Martins, um dos 17 detidos e colocado em prisão preventiva na segunda-feira.

Depois de terem sido detidos, na terça-feira da semana passada, a juíza de instrução criminal procedeu aos interrogatórios dos onze elementos da GNR e da PSP, tendo-os libertado quatro dias depois, após ter declarado as escutas comprometedoras como inválidas naquele momento do processo, por não terem sido transcritas. Apenas quatro dos elementos das forças de segurança aceitaram prestar declarações sobre o facto de terem sido detetados, várias vezes, junto de imigrantes, em locais de exploração laboral.

Transportes de azeitonas

De acordo com informações recolhidas pelo JN, o tenente Rui Pinto, assim como os militares Carlos Dias, João Castanho e José Lebre foram confrontados com indícios que sustentam as suspeitas de que vigiavam o trabalho dos imigrantes nas herdades, por conta de Vítor Martins. Os quatro negaram qualquer crime, mas admitiram terem estado presentes em alguns locais. Confessaram que chegaram a prestar serviços remunerados para Vítor Martins que, garantiram, eram agrícolas. Andariam de moto 4 ou de trator a transportar bens agrícolas como sacos de azeitona e ferramentas. Uma testemunha terá confirmado ter visto alguns dos GNR a fazer esse serviço.

Sem a possibilidade utilizar os elementos de prova recolhidos através das intersecções telefónicas não transcritas, a juíza considerou como plausível a justificação dos militares. Nestas condições processuais, a magistrada até considerou como não indiciada a prática de qualquer crime relativamente aos onze elementos das forças de segurança e libertou-os com o simples termo de identidade e residência.

Segundo a investigação da “Operação Safra Justa”, que continua, os elementos de forças de segurança exerciam controlo e vigilância dos trabalhadores estrangeiros, a troco de compensação económica, “fora das respetivas competências profissionais e infringindo os deveres a que estão obrigados em razão do exercício de funções públicas”, informou o Departamento Central de Investigação e Ação Penal.

Militares voltaram ao serviço, mas foi aberto processo

Os dez militares da GNR detidos pela PJ regressaram na terça-feira ao serviço. Dois deles voltaram às escolas da GNR na Figueira da Foz e em Portalegre, onde estavam em formação. Questionada pelo JN sobre se iria ser aplicada alguma medida disciplinar aos suspeitos, fonte do Comando Geral da GNR explicou, anteontem, que “a competência disciplinar foi avocada pela Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) e que a GNR dará cumprimento a todas as medidas que venham a ser determinadas”. A IGAI, sabe o JN, está a ponderar a aplicação de medidas cautelares aos dez militares da GNR e ao agente da PSP, que está de baixa médica há cerca de 14 meses. Quando foram detidos, estes elementos das forças de segurança eram suspeitos de corrupção e abuso de poder.

Carros, depósitos e manuscrito

Nas buscas à casa de um dos militares detidos, em Gondomar, a PJ apreendeu Mercedes CLE, um Audi A5 Cabriolet, um Land Rover, documentos bancários de um depósito de 17 mil euros e manuscritos sobre contabilidade, detalhando uma entrega de 12 835 euros ao tenente.

Buscas realizadas de madrugada

A Operação “Safra Justa” levou ao cumprimento de 50 mandados busca e 17 de detenção, em Beja, Portalegre, Figueira da Foz e Gondomar. As diligências foram feitas de madrugada, cerca das 4.30 horas, de terça-feira da semana passada.

Fonte: Jornal de Notícias

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