Incêndios: Bombeiros admitem deixar de correr o país a apagar fogos.


Liga dos Bombeiros Portugueses avisa que corporações não conseguem suportar custos de deslocações muito grandes.

Carros de combate a incêndios avariados nas bermas da estrada ou em filas para pagar portagens, bombeiros extenuados, com fome, com equipamento danificado e a dormir no chão, são conclusões do “relatório DECIF2016 e proposta DECIF2017”, analisado pelo Jornal de Notícias (JN).

Esse foi o cenário que chocou o país nos fogos florestais do ano passado, que consumiram 160 mil hectares de área verde, e que a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) não quer que se repita este ano. Por isso, pondera-se limitar a saída das corporações para longe da sua área de atuação.

Caso o Governo não demonstre abertura para acatar as sugestões que os bombeiros consideram prioritárias na elaboração do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) para 2017, é muito provável que as corporações, este ano, não corram o país a combater incêndios, como aconteceu em 2016.

A dignificação dos bombeiros é ponto de honra as nas negociações entre a LBP e o Ministério da Administração Interna (MAI) e é um dos temas principais de uma moção, aprovada no passado sábado, em Conselho Nacional da Liga.

Balanço de 2016

Situação dos bombeiros: Na avaliação à época passada, a Liga dos Bombeiros conclui que a compensação atribuída aos bombeiros não é “atrativa” (1,78 euros/ hora), faltam condições para os bombeiros descansarem e sensibilização dos patrões para dispensar bombeiros.

Organização de meios: Excesso de meios nalguns teatros de operações e falta noutros, triangulação de meios mal planeada; GRUATA (grupos de reforço de ataque ampliado) desviados dos fins para que foram criados.

Planeamento e logística: Falta de postos de abastecimento de água, de limpeza de caminhos rurais, de vigilância, georreferenciação nos rádios; falta de acionamento dos planos municipais de emergência e falta de planeamento nos teatros de operações.

Propostas para 2017

Reforço de prevenção: Realização de fogos controlados, plantação de espécies autóctones, vigilância, construção de novas vias primárias e secundárias e manutenção das existentes, sinalização de estradas e caminhos de combate a incêndios, criação do Observatório Nacional para os Incêndios Florestais.

Dignificação dos bombeiros: Refeições totalmente comparticipadas, reembolso a 100% do valor do Combustível gasto no DECIF; e um valor mínimo de 50 euros para os voluntários.

Cadastro dos terrenos: Criação de um cadastro  da propriedade florestal e de um Dispositivo Nacional de Proteção e Socorro, com cobertura financeira o ano inteiro; existência de um Plano Nacional de Reequipamento (subir de 80 para 85% a comparticipação até ao “limite de vida útil” e incluir a percentagem de 60% no apoio da vida útil); e fixação de um valor fico por bombeiro para danos no equipamento.

Teixeira Correia

(jornalista)


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