A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) vai propor à ministra da Administração Interna a abertura de processos disciplinares aos dez militares da GNR e um agente da PSP detidos por suspeitas de exploração de imigrantes no Alentejo, informou o organismo.
“A abertura dos processos disciplinares vai ser proposta à senhora ministra da Administração Interna [Maria Lúcia Amaral], que é quem, por lei, tem competência para o efeito”, indicou esta sexta-feira, em resposta à Lusa, fonte da IGAI.
A mesma fonte acrescentou que a Inspeção-Geral aguarda o “despacho de aplicação das medidas de coação” para ter “uma noção rigorosa da factualidade” imputada a cada um dos dez militares da GNR e um elemento da PSP detidos na operação “Safra Justa”.
A comunicação das medidas de coação está agendada para as 18 horas deste sábado, confirmou esta sexta-feira fonte do Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, onde as 17 pessoas detidas na terça-feira foram interrogadas por um juiz de instrução.
Segundo informações prestadas esta madrugada à porta do tribunal pelo advogado Frederico Miguel Alves, que representa dois arguidos, dez dos 17 detidos foram libertados após terem sido ouvidos na quinta-feira, permanecendo detidos um GNR, um PSP e cinco civis, para os quais o Ministério Público (MP) pediu prisão preventiva.
As dez pessoas libertadas, por terem sido pedidas pelo Ministério Público medidas de coação não privativas da liberdade, são nove militares da GNR e um civil.
De acordo com fonte policial, a organização criminosa desmantelada na operação de terça-feira da Polícia Judiciária (PJ) controlava cerca de 500 trabalhadores estrangeiros, mas nem todos são considerados vítimas de tráfico.
Os dez militares da GNR detidos pertenciam, à data dos alegados crimes, ao Comando Territorial de Beja da GNR, enquanto o agente da PSP, do Comando Distrital de Beja da Polícia, estava de baixa desde setembro de 2024, foi revelado na terça-feira.
O MP considera que os elementos das forças de segurança controlavam e vigiavam os trabalhadores estrangeiros “a troco de compensação económica” e ainda os ameaçavam, “dando-lhes a entender que a queixa às autoridades não seria uma alternativa viável para reagir aos abusos de que eram alvo”.
Os factos investigados, segundo a PJ e o MP, são suscetíveis de integrar a prática dos crimes de auxílio à imigração ilegal, tráfico de pessoas, corrupção ativa e passiva, abuso de poder, falsificação, fraude fiscal e branqueamento de capitais.
Fonte: Jornal de Notícias/ Lidador Notícias


