O Ministério Público acredita que os militares da GNR detidos terça-feira pela PJ na operação “Safra Justa”, por alegadamente controlarem e vigiarem trabalhadores estrangeiros nas explorações agrícolas do Alentejo, recebiam os pagamentos pelos serviços sobretudo em dinheiro, para evitar deixar rastos formais. MP quer arguidos da GNR e PSP suspensos de funções.
Mesmo assim, a investigação apurou que, nos últimos três anos, entrou dinheiro nas contas bancárias da maior parte destes guardas do Comando de Beja. Seriam rendimentos incompatíveis com os salários dos polícias. Terão sido identificadas transferências feitas em nome de filhos menores, depósitos em numerário, movimentos cuja origem não foi possível determinar e operações provenientes de entidades que não a GNR, incluindo transferências significativas por MB Way.
Para manter os trabalhadores, sobretudo timorenses e indostânicos, nas explorações agrícolas e garantir que concluíam as tarefas acordadas, assim como para controlar quem reclamava ou recusava fazer mais horas, os militares da GNR – mais um agente da PSP, também detido – recorriam à intimidação. Ameaçavam as vítimas, insultavam-nas, aplicavam-lhes castigos e, em alguns casos, utilizavam a força. Muitas das vezes, prestavam-se a tais serviços ilegais durante o horário de trabalho.
Apesar de, a partir de outubro de 2024, um destes guardas, o sargento José Justo, ter passado a trabalhar no posto de Matosinhos, a mudança não o impediu de continuar a colaborar com um dos cabecilhas da rede. Aos fins de semana, seria ele que organizava as equipas e as escalas dos colegas que se deslocavam às explorações onde os trabalhadores laboravam. Este militar estaria na iminência de comprar uma quinta de 160 mil euros. Na sua sombra, estaria o tenente Rui Pinto, a quem o sargento Justo terá entregue, de uma só vez, 12835 euros, proveniente do esquema.
MP quer arguidos suspensos de funções
O Ministério Público que, na sequência dos interrogatórios, pediu a prisão preventiva do sargento Justo e do PSP, também requereu que os outros nove militares da GNR fossem suspensos de funções, além de proibidos de contactar vítimas e outros arguidos. A decisão do juiz é conhecida amanhã.
Fonte: Jornal de Notícias/ Lidador Notícias


